A colheita de azeitonas, fonte de sustento para famílias palestinas, foi interrompida pela violência em Taybeh, comunidade cristã na Cisjordânia. Segundo os patriarcas e líderes das Igrejas de Jerusalém, colonos mascarados atacaram moradores e visitantes estrangeiros no sábado, 17 de outubro. Entre os visitantes estavam diplomatas e funcionários europeus em missão de solidariedade.
Em comunicado datado de segunda-feira, 19, as lideranças condenaram a agressão e pediram às autoridades que responsabilizem os envolvidos. Também solicitaram maior atuação internacional para proteger os habitantes e as pessoas que visitam a região.
Para as Igrejas, o episódio integra uma sequência de ataques contra comunidades palestinas, intensificados durante a colheita. Além de comprometer o sustento, a violência ameaça o vínculo das famílias com terras cultivadas por gerações.
A vida de quem escolhe ficar
A realidade de Taybeh também aparece no testemunho de Madees Khoury, cristã palestina que administra a cervejaria da família. Em entrevista publicada pelo Vatican News em 19 de outubro, ela descreveu como as restrições de circulação afetam atividades básicas, como trabalhar, estudar, buscar atendimento médico e voltar para casa.
Segundo Khoury, a espera nos postos de controle israelenses torna imprevisível a rotina. A incerteza atinge também o negócio familiar: o transporte de mercadorias até o porto exige procedimentos e deslocamentos que podem consumir dias.
Apesar das dificuldades, ela decidiu permanecer. A empresa mantém 15 funcionários de Taybeh e de localidades vizinhas, mesmo com a redução da produção e das vendas relatada pela empresária.
“Queremos viver em paz, com dignidade e liberdade”, afirmou ao Vatican News.
Seu relato aproxima o debate sobre a presença cristã na Palestina da vida cotidiana: famílias que procuram manter o trabalho, seus vínculos comunitários e a possibilidade de construir um futuro onde vivem.
Proteção e justiça
No comunicado, as lideranças religiosas reconheceram a intervenção da polícia israelense e as prisões realizadas após o ataque. Agradeceram também a condenação expressa pelo presidente de Israel, Isaac Herzog, mas cobraram continuidade nas medidas de proteção e combate à impunidade.
A manifestação reafirma o compromisso das Igrejas com a permanência da comunidade cristã em Taybeh. O pedido de segurança se estende aos habitantes da Cisjordânia e a todos os que chegam à região para demonstrar solidariedade.
Ao concluir, os líderes dirigem suas orações a toda a população da Terra Santa, pedindo condições de vida marcadas pela segurança, pela justiça e pela paz.
Com informações do Patriarcado Latino de Jerusalém e Vatican News.