Neste domingo, 4 de outubro, os brasileiros vão às urnas para o primeiro turno das eleições de 2026. A escolha dos representantes traz uma responsabilidade destacada por Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus: compreender quais projetos de Brasil estão por trás das candidaturas. Em entrevista à Rádio Amar e Servir, a rádio da Companhia de Jesus, o bispo ressaltou a importância de ir votar e defendeu uma avaliação que alcance, além dos nomes, as propostas e as concepções de poder presentes na disputa.
Para Dom Zenildo, o pleito coloca em discussão questões que atravessam a vida democrática do país. A decisão nas urnas, em sua análise, envolve tanto a definição de quem ocupará os cargos públicos quanto as diferentes compreensões sobre cidadania e Estado Democrático de Direito.
“O que está em jogo não se trata somente da escolha de mandatários, o que está em jogo é a disputa de processos de poder e de concepções a respeito da cidadania, da democracia, do Estado Democrático de Direito”, afirmou.
Essa leitura amplia o critério de avaliação proposto ao eleitor. Conhecer a trajetória e a identidade pessoal dos candidatos continua sendo necessário, mas, segundo o bispo, é preciso examinar também o projeto político que sustenta cada candidatura, seja no Executivo ou no Legislativo.
O discernimento, explicou, passa por “perceber que projeto de poder e que projeto de Brasil está por trás destas propostas”.
A reflexão surgiu a partir de uma pergunta sobre voto consciente, igualdade e os desafios da Amazônia no contexto brasileiro. Ao responder, Dom Zenildo apontou para a necessidade de interpretar o cenário político e conhecer as propostas fundamentais que orientam a disputa.
“As eleições deste ano, eu diria, são mais exigentes para nós, não somente conhecer candidatos, mas conhecer propostas fundamentais”, destacou.
O bispo também recordou que a formação da consciência eleitoral integra a atuação da Igreja Católica nos períodos de eleição. Ao mencionar as campanhas promovidas pela Igreja, ressaltou três dimensões desse trabalho: a consciência sobre a escolha, a liberdade para decidir e a educação que prepara o cidadão para participar.
Segundo ele, essas iniciativas dizem respeito “ao voto consciente, ao voto com liberdade e ao voto que seja fruto de um processo educacional”.
Nesse horizonte, o incentivo a comparecer às urnas e escolher os próprios representantes se articula à exigência de uma decisão informada. Neste dia de votação, a reflexão de Dom Zenildo convida o eleitor a olhar com atenção para o presente e para os projetos que pretendem conduzir o país: “E, para isso, temos que prestar muita atenção no cenário atual.”