Uma semana depois dos fortes terremotos que atingiram a Venezuela, a dor ainda marca o rosto de milhares de famílias. No estado de La Guaira, uma das regiões mais afetadas pelos tremores de 24 de junho, a destruição deixou casas em ruínas, pessoas vivendo nas ruas e comunidades inteiras à espera de notícias sobre parentes desaparecidos.
Em meio aos escombros, a Cáritas de La Guaira tem sido uma presença concreta da Igreja junto aos atingidos. Segundo o diretor da Cáritas local, diácono Ruben Perdomo, a situação é extremamente grave. O número de vítimas já ultrapassa 2 mil e, além da emergência humanitária, cresce também a preocupação com uma crise sanitária, já que muitos corpos ainda não puderam ser retirados dos escombros.

Mesmo diante de um cenário de profunda dor, os trabalhos de busca continuam. Perdomo relatou à Rádio Vaticano, Vatican News, que até o sexto dia depois dos terremotos ainda havia pessoas sendo encontradas com vida sob os destroços. Para ele, esse fato alimenta a esperança das equipes de resgate e das famílias que continuam esperando por seus entes queridos.
A situação das famílias desabrigadas também preocupa. De acordo com a Cáritas de La Guaira, cerca de 30 mil famílias ficaram sem casa. Muitas pessoas estão dormindo nas ruas, em parques e espaços improvisados, enquanto tentam lidar com a perda de familiares, a falta de alimentos e a incerteza sobre o futuro.
Diante dessa realidade, a Igreja tem buscado responder com proximidade e serviço. A Cáritas organizou seis centros de coleta, por meio dos quais distribui alimentos e presta apoio às comunidades mais atingidas. Sacerdotes, agentes pastorais e voluntários têm atuado como referência para a população, oferecendo acolhida, orientação e assistência em um momento de medo e desamparo.
O diretor da Cáritas destacou também o apoio de organizações internacionais e da rede eclesial venezuelana. Segundo ele, a presença da Igreja tem sido percebida pelas pessoas como sinal de cuidado e esperança. Em suas palavras, a população sente que não está sozinha.

A proximidade do Papa Leão XIV também foi recordada com gratidão. Desde os primeiros dias da tragédia, o Pontífice manifestou solidariedade às vítimas e encorajou a oração e a ajuda concreta ao povo venezuelano. Para a Cáritas local, saber que o Papa acompanha a situação é fonte de força para quem está na linha de frente da emergência.
O clamor que vem de La Guaira é simples e urgente: salvar vidas, continuar as buscas, garantir alimento, apoiar os desabrigados e ajudar as famílias a atravessarem o luto. A frase repetida pela Cáritas resume a fé que sustenta esse trabalho: a esperança da vida nunca se perde.
O caminho de reconstrução será longo. A própria Cáritas reconhece que os próximos 30 a 60 dias serão decisivos para enfrentar a crise humanitária e sanitária. Depois, será preciso iniciar um processo ainda mais amplo de reconstrução da vida, das casas, das comunidades e da confiança.
Na Venezuela ferida pelos terremotos, a solidariedade se torna uma forma concreta de evangelho. Entre ruínas, lágrimas e incertezas, a Igreja permanece ao lado do povo. E onde a dor parece ter a última palavra, a caridade insiste em dizer que ainda há vida, ainda há missão e ainda há esperança.