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O Círio passou, mas a fé permanece: histórias e testemunhos seguem vivos no coração da equipe da Rádio Amar e Servir
Quatro dias após a grande procissão em Belém, as experiências vividas no Círio de Nazaré 2026 continuam despertando emoção, gratidão e esperança. Em programa especial, colaboradores da emissora partilharam os encontros que marcaram a cobertura. Um vídeo inédito com testemunhos dos romeiros também será divulgado em breve.
Por Murilo Galhardo
Publicado em 15/10/2026 16:50 • Atualizado 15/10/2026 17:34
Espiritualidade
Equipe Rádio Amar e Servir - Círio de Nazaré 2026



As ruas de Belém já não estão tomadas pela multidão que acompanhou a passagem de Nossa Senhora de Nazaré no último domingo, 11 de outubro. A berlinda concluiu seu percurso, os romeiros retornaram para suas casas e o ritmo da cidade começa a se reorganizar. Mas existe algo que não terminou com a procissão: a fé, as histórias e os encontros que continuam vivos na memória e no coração de quem experimentou o Círio de Nazaré 2026.

Nesta quinta-feira, 15 de outubro, quatro dias depois da grande celebração, os testemunhos recolhidos durante a festa ainda ecoam. São lembranças de promessas cumpridas, sonhos realizados, dificuldades enfrentadas e gestos de solidariedade que revelam uma devoção capaz de atravessar gerações e transformar vidas.

Para a Rádio Amar e Servir, emissora da Companhia de Jesus, a primeira cobertura especial do Círio de Nazaré também deixou marcas profundas. Mais do que acompanhar as romarias e transmitir a grandiosidade da festa, a equipe encontrou, nas ruas de Belém, histórias que deram um novo significado à missão de comunicar a fé.

Essas experiências ganharam voz no programa especial de encerramento, transmitido no domingo, 11 de outubro, diretamente da capital paraense. Conduzida pelo padre Edson Tomé, SJ, a roda de conversa reuniu colaboradores e voluntários para revisitar os encontros, as emoções e os aprendizados vividos durante a cobertura.

Uma multidão de histórias, uma mesma esperança

Entre os convidados estavam o padre Jobson Ramos, SJ, paraense que atualmente vive em Fortaleza, e o jovem Lucas, vindo de São Paulo para sua primeira experiência no Círio de Nazaré.

O padre Jobson recordou a história de uma família que, há anos, distribui água gratuitamente aos peregrinos. Em meio ao esforço de milhares de pessoas que atravessam as ruas de Belém, aquele gesto simples revelou uma dimensão essencial da devoção: a fé que se transforma em serviço, cuidado e solidariedade.

Para o jesuíta, o Círio também oferece a imagem de uma Igreja peregrina, que caminha ao lado do povo e se faz presente nas realidades concretas da vida. Uma Igreja que acolhe, escuta e anuncia o amor em um mundo frequentemente marcado pela indiferença.

Lucas destacou a importância de enxergar as histórias que existem por trás da multidão. Entre elas, o testemunho de uma mulher que percorreu aproximadamente 150 quilômetros, acompanhada por outros peregrinos, para agradecer por uma graça recebida.

Se, pela televisão, o Círio impressiona pela quantidade de pessoas, estar presente permite descobrir os rostos, os nomes e os sentimentos que fazem daquela caminhada uma experiência coletiva de esperança.

A juventude também caminha com Maria

A jovem Ingrid Arruda, natural de Nova Esperança do Piriá, no interior do Pará, compartilhou um testemunho que emocionou os participantes.

No Círio anterior, havia pedido a intercessão de Nossa Senhora de Nazaré para conseguir ingressar na faculdade de Medicina. Depois de ser aprovada em três vestibulares e iniciar a graduação, retornou à festa em 2026 para cumprir o primeiro ano de uma promessa que pretende manter durante todo o curso.

Ingrid também recordou a devoção de sua família, especialmente a caminhada de sua mãe em agradecimento pela recuperação da saúde da avó.

Sua história revelou como a tradição do Círio permanece viva entre os jovens e acompanha suas preocupações, seus projetos e seus sonhos por um futuro melhor.

Quando a história do outro encontra a nossa

Para Murilo Galhardo, integrante da produção e reportagem da Rádio Amar e Servir, e Kennedy Amorim, pastoralista do Centro MAGIS Anchietanum e colaborador da emissora, a experiência em Belém também representou um encontro com a própria espiritualidade.

Durante o programa, Murilo relembrou um dos momentos mais emocionantes de sua cobertura: o testemunho de uma mãe cuja filha nasceu prematuramente e enfrentou graves complicações de saúde.

A história encontrou eco em sua experiência pessoal como pai, despertando lembranças dos dias em que também acompanhou uma filha recém-nascida em uma unidade de terapia intensiva.

Outro encontro aconteceu nas proximidades da Basílica Santuário, quando dois irmãos contaram que haviam retornado ao Círio para agradecer pela conquista da casa própria. De mãos dadas e carregando representações de suas casas, celebravam a realização de um sonho: morar um ao lado do outro.

Ao recordar esses momentos, Murilo resumiu aquilo que permaneceu depois de tantos encontros:

"Eu levo a fé, a fé tocada."

Uma fé que não se limita aos ritos religiosos, mas que se manifesta no acolhimento, nas histórias de vida e na esperança que resiste mesmo diante das dificuldades.

Kennedy, por sua vez, destacou a dimensão missionária da comunicação. Ao recordar Maria como aquela que se coloca a caminho para encontrar quem precisa, refletiu sobre o compromisso dos comunicadores de anunciar a esperança, oferecer acolhimento e dar voz àqueles que muitas vezes permanecem invisíveis.

Para ele, a cobertura reafirmou o compromisso da Rádio Amar e Servir de ultrapassar a transmissão de informações e contribuir para uma comunicação que aproxima, consola e promove o encontro.

A fé que se vive e se compartilha

As colaboradoras Emiliana e Yara, que também participaram da cobertura em Belém, trouxeram reflexões sobre a espiritualidade amazônica, a solidariedade e a força dos testemunhos.

Emiliana, que comemorou seu aniversário no domingo do Círio, destacou a importância de experimentar a fé em comunidade. Para ela, a devoção reúne uma dimensão profundamente pessoal de encontro com Deus e uma manifestação coletiva de partilha e apoio mútuo.

"A fé se traduz nessa vivência em comunidade", afirmou.

Iara emocionou os participantes ao recordar sua trajetória de enfrentamento a uma cirurgia delicada na tireóide. Ao compartilhar os desafios vividos durante o tratamento, destacou como a fé permaneceu presente mesmo nos momentos de maior incerteza.

Sua reflexão trouxe uma mensagem que permanece atual mesmo depois da festa: a fé não pode ser compreendida como uma moeda de troca, condicionada apenas à realização dos desejos humanos, mas como uma relação de confiança e entrega que acompanha todas as circunstâncias da vida.

Uma missão que não termina com a procissão

Durante o programa de encerramento, o padre Edson Tomé agradeceu aos colaboradores, voluntários, equipes de produção e comunicação e a todos que acompanharam as transmissões pelo rádio, YouTube e redes sociais.

O jesuíta reconheceu os desafios de uma cobertura inédita, marcada pela integração entre o estúdio e os repórteres nas ruas, e destacou a importância de continuar construindo pontes entre diferentes manifestações de fé no Brasil.

Entre os desejos para o futuro, está a possibilidade de aproximar ainda mais as celebrações de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, e Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, cuja festa também foi celebrada no último domingo.

A cobertura contou com a colaboração de integrantes e amigos da emissora, entre eles o irmão Ubiratan, conhecido como Bira, além de voluntários e comunicadores que contribuíram para levar aos ouvintes as histórias e a emoção do Círio.

O encerramento foi marcado pela oração da Ave-Maria, pelos agradecimentos e pelos tradicionais vivas a Nossa Senhora de Nazaré.

As histórias do Círio ainda têm muito a contar

Embora as transmissões ao vivo tenham terminado, a Rádio Amar e Servir ainda prepara um conteúdo especial que dará continuidade à cobertura do Círio de Nazaré 2026.

Nos próximos dias, a emissora divulgará um vídeo reunindo testemunhos de romeiros e devotos entrevistados durante as celebrações.

A produção apresentará histórias de pessoas que percorreram longas distâncias, enfrentaram momentos difíceis, fizeram promessas e retornaram a Belém para agradecer pelas graças recebidas. Relatos de fé, superação, cuidado e esperança que ajudam a compreender o significado do Círio para além da procissão.

O vídeo será disponibilizado nos canais digitais da Rádio Amar e Servir, permitindo que essas experiências continuem alcançando pessoas em diferentes regiões do Brasil.

O Círio de Nazaré 2026 já faz parte da memória de quem esteve em Belém. Mas sua mensagem continua presente.

Permanece na lembrança de quem chorou ao ouvir um testemunho, no coração de quem encontrou consolo em uma palavra, na gratidão de quem teve suas preces atendidas e também na confiança daqueles que continuam esperando.

Permanece, sobretudo, na fé de um povo que encontra em Maria a presença de uma mãe que acolhe, acompanha e aponta o caminho para Jesus.

A procissão terminou no domingo. Hoje, as ruas seguem outro ritmo. Mas aquilo que foi vivido continua encontrando espaço nos gestos, nas palavras e na vida de quem participou.

Porque o Círio não termina quando a berlinda chega ao seu destino. Ele continua em cada coração que foi tocado e em cada vida que encontrou uma razão para seguir acreditando.

Rádio Amar e Servir, transmitindo a fé no Círio de Nazaré.

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