Neste 13 de fevereiro, Dia Mundial do Rádio, a Rádio Vaticano (Vatican News) promoveu uma programação especial dedicada ao futuro do rádio e aos desafios da comunicação na era digital. A iniciativa reuniu sete programas em diferentes idiomas, transformados em podcasts temáticos que abordam o serviço público, a inovação e a relação entre mídia, sociedade e inteligência artificial.
A celebração ocorre logo após os 95 anos da Rádio Vaticano, fundada em 1931 por vontade do Pio XI e realizada pelo inventor Guglielmo Marconi. Ao longo de quase um século, a emissora mantém a missão de ligar a Santa Sé a povos e culturas de todo o mundo, atravessando transformações tecnológicas, culturais e geopolíticas sem perder sua identidade.
Rádio e inteligência artificial: ferramenta, não voz
O tema escolhido para o Dia Mundial do Rádio 2026 foi “A inteligência artificial é uma ferramenta, não uma voz”. A reflexão dialoga com a mensagem do Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, na qual o Pontífice recorda a importância da responsabilidade humana, do discernimento e da escuta na comunicação contemporânea.
Na mensagem, o Papa alerta para os riscos de uma comunicação automatizada e desumanizada. Segundo o Pontífice, o desafio atual não é apenas tecnológico, mas antropológico: preservar vozes e rostos humanos significa preservar a própria dignidade da pessoa.
Leão XIV também chama atenção para o impacto dos algoritmos nas redes sociais, que podem favorecer a polarização e a desinformação ao privilegiar conteúdos rápidos e emotivos. Para enfrentar esse cenário, o Papa propõe três pilares: responsabilidade, cooperação e educação.
Responsabilidade e formação para a comunicação digital
Entre as orientações, destaca-se a necessidade de sinalizar conteúdos gerados por inteligência artificial e proteger a autoria do trabalho jornalístico. O Pontífice pede ainda a colaboração entre plataformas digitais, legisladores, comunicadores, educadores e sociedade civil para a construção de uma cidadania digital responsável.
Outro ponto central da mensagem é a educação para o uso crítico das tecnologias. O Papa defende a inclusão da alfabetização em inteligência artificial nos sistemas educativos, incentivando a verificação das fontes, a proteção de dados pessoais e o uso consciente das ferramentas digitais.
O rádio permanece presença e companhia
Durante o programa especial, convidados refletiram sobre o papel do rádio diante das transformações tecnológicas. Entre eles, comunicadores e especialistas destacaram que o rádio tem demonstrado capacidade constante de adaptação ao longo das décadas, sobrevivendo à chegada da televisão, da internet e agora da inteligência artificial.
A experiência recente da pandemia foi lembrada como exemplo da relevância do meio: em momentos de isolamento, o rádio reafirmou sua vocação de presença, companhia e proximidade com os ouvintes.
Mesmo diante dos avanços tecnológicos, a conclusão comum foi clara: a inteligência artificial pode ser uma aliada, mas não substitui a comunicação humana. A voz, o encontro e a escuta permanecem no centro da missão do rádio.
Ao celebrar o Dia Mundial do Rádio, a iniciativa reforça que a revolução digital exige uma alfabetização crítica e responsável, para que a inovação tecnológica esteja sempre a serviço da pessoa e do encontro humano.
Com informações Vatican News