Em um cenário marcado por excesso de informação, polarização e desafios sociais, as rádios católicas permanecem como instrumentos de proximidade, esperança e serviço. A avaliação é do doutor em Ciências da Religião pela PUC Minas e radialista, Alessandro Gomes, entrevistado pela Rádio Amar e Servir por ocasião do Dia Mundial do Rádio.
Segundo o especialista, o rádio continua sendo um meio moderno e em constante transformação, capaz de acompanhar as mudanças tecnológicas sem perder sua essência de proximidade com as pessoas.
“O rádio continua muito atual e tem a capacidade de se moldar ao longo do tempo. Foi assim com a chegada da televisão, da internet e das redes sociais, e agora também com a inteligência artificial”, explica.
Para Alessandro, essa capacidade de adaptação reforça o caráter íntimo do rádio, que permanece próximo dos ouvintes e capaz de dialogar com diferentes realidades sociais.
“O rádio é um veículo íntimo das pessoas. Ele se adapta às necessidades dos diferentes públicos e continua sendo um dos meios de maior credibilidade entre os brasileiros.”
Comunicação para o bem comum
Ao refletir sobre o papel das rádios católicas, o pesquisador destaca que a missão dessas emissoras está profundamente ligada à tradição da Igreja na área da comunicação. Ele recorda o documento conciliar Inter Mirifica, que já apontava a importância dos meios de comunicação para a evangelização e a promoção da paz.
“As rádios católicas têm um papel fundamental na conformação da sociedade moderna. São instrumentos que contribuem para um mundo melhor, fortalecendo a democracia, a emancipação das pessoas e a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.”
Segundo Alessandro, as conferências episcopais latino-americanas posteriores ao Concílio Vaticano II reforçaram essa missão, reconhecendo a comunicação como ferramenta essencial para o bem comum.
Nesse contexto, as emissoras católicas são chamadas a promover conteúdos comprometidos com a verdade, a justiça e a dignidade humana.
Evangelizar e agir
O especialista explica que a atuação das rádios católicas une duas dimensões complementares: a espiritual e a social.
“Esses veículos cumprem um papel importante tanto na divulgação do Evangelho quanto no incentivo à ação concreta. O rádio está aí para ser orante com a população e para executar o bem junto com a população.”
Como exemplo, Alessandro recorda a mobilização promovida por emissoras ligadas à SIGNIS Brasil e à CNBB durante a recente crise no Rio Grande do Sul, quando rádios e televisões católicas se uniram em uma transmissão solidária que arrecadou recursos para as vítimas.
“Rezamos, fizemos adoração e, ao mesmo tempo, mobilizamos ajuda concreta. Isso mostra a missão do rádio católico: espalhar o amor de Deus e colaborar para uma sociedade mais justa.”
Ao concluir, o especialista reforça que as rádios católicas seguem cumprindo sua missão evangelizadora e social.
“O rádio católico tem uma grande missão e vem cumprindo essa missão de espalhar o amor de Deus, promover a verdade, a alegria e o bem-estar. Esse é o rádio que nós queremos.”