Celebrado em 13 de fevereiro, o Dia Mundial do Rádio recorda a força de um meio de comunicação que continua presente no cotidiano de milhões de pessoas em todo o mundo. Instituída pela UNESCO, a data valoriza o rádio como instrumento democrático de informação, educação, cultura e serviço, especialmente em momentos de crise.
Mesmo com o avanço das redes sociais e das plataformas de streaming, o rádio permanece como um dos meios de maior alcance no Brasil. Segundo dados da Kantar IBOPE Media, 79% dos brasileiros ainda escutam rádio, dedicando, em média, 3 horas e 47 minutos por dia à programação. Ao todo, 92% da população consome algum tipo de conteúdo sonoro diariamente, o que coloca o país entre os maiores mercados de áudio do mundo.
A presença do rádio também se expandiu para o ambiente digital, com transmissões online, aplicativos e smart speakers. O consumo ocorre em múltiplas plataformas: 70% dos ouvintes acompanham pelo AM/FM, 33% pelo YouTube, 16% em serviços sob demanda e 13% pelos aplicativos das emissoras.
Rádio: credibilidade construída ao longo do tempo
Em entrevista à Rádio Amar e Servir, o especialista em mídia e consumo Fernando Morgado destaca que a confiança do público no rádio está diretamente ligada à sua história e à prática do jornalismo profissional.
“Estamos falando de uma mídia centenária. Nenhum veículo sobrevive tanto tempo se não tem um trabalho sério. Em um mundo com fake news e meias-verdades, os meios que trabalham de forma profissional se tornam uma bússola diante de um cenário confuso.”
Outro fator apontado por Morgado é a proximidade com o público.
“O rádio fala com a linguagem e o sotaque de cada lugar do Brasil. Essa curadoria local forma uma relação muito sólida de confiança entre os brasileiros e o rádio.”
Essa proximidade ajuda a explicar por que o meio permanece relevante, inclusive em situações de emergência, como enchentes, apagões e crises sanitárias, quando muitas vezes é o canal mais acessível e confiável para orientar a população.
O rádio como parte da rotina
Outro diferencial do rádio é a capacidade de criar hábito de escuta. Para o especialista, o meio ocupa um espaço único na rotina das pessoas.
“O rádio é especialista em formar hábito. As pessoas ligam esperando determinado programa ou locutor. O rádio pauta a rotina e conquista tempo de audiência de forma consistente.”
Esse vínculo cotidiano contribui também para a força econômica do setor. O rádio movimenta cerca de R$ 2,5 bilhões em publicidade no Brasil e 43% dos ouvintes afirmam já ter pesquisado ou comprado produtos após ouvir anúncios.
Reinvenção constante diante das novas tecnologias
Ao longo de mais de um século, o rádio demonstrou grande capacidade de adaptação às mudanças tecnológicas. Segundo Morgado, poucas mídias se reinventaram tanto.
“Quando a televisão surgiu, o rádio se transformou. Depois vieram a internet, os smartphones, as redes sociais e agora a inteligência artificial. O rádio sempre soube usar as novas tecnologias para crescer.”
Para o especialista, a inteligência artificial surge como ferramenta capaz de ampliar a produtividade e aperfeiçoar conteúdos, sem substituir o papel humano na comunicação.
Inteligência artificial: ferramenta, não voz
O tema escolhido para o Dia Mundial do Rádio 2026 é “A inteligência artificial é uma ferramenta, não uma voz”. A reflexão dialoga com a mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, na qual o Pontífice alerta para os riscos de uma comunicação desumanizada.
Segundo o Papa, o desafio atual não é apenas tecnológico, mas antropológico: preservar vozes e rostos humanos significa preservar a dignidade da pessoa.
Ao celebrar o Dia Mundial do Rádio, especialistas e comunicadores reafirmam que, mesmo diante das transformações digitais, o rádio continua sendo presença, companhia e serviço, um meio que segue evoluindo sem perder sua essência humana.