Por: Felipe Moura - VIA MAGIS BRASIL
Depois de um primeiro dia marcado pela acolhida, pela partilha de experiências e pela escuta das diferentes realidades da Amazônia, o Fórum das Juventudes Amazônicas avançou, neste sábado, 26 de setembro de 2026, para um novo momento de reflexão. Na Casa de Retiro Ir. Vicente Cañas, em Manaus (AM), os participantes foram convidados a aprofundar o olhar sobre os desafios presentes em seus territórios e reconhecer caminhos de transformação.
A manhã começou com a Santa Missa, presidida por Dom Frei Samuel Ferreira de Lima, OFM, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus e referencial para a juventude. Na homilia, Dom Samuel refletiu sobre a juventude como um tempo de lançar raízes e buscar sentido para a vida, destacando a necessidade de olhar para além daquilo que é passageiro.
“Deus aponta pra nós um caminho inverso. O caminho de perceber que, na simplicidade de todas as coisas, está a grandeza de Deus”, afirmou.
Ao refletir sobre os desafios do tempo presente, marcado pela busca de força, poder, status e competição, Dom Samuel destacou o amor como uma lógica diferente. “Amar não é conquista, não é vitória. Amar é despojamento. Amar é dar a vida pelo outro”, disse.
O bispo também convidou os jovens a reconhecerem a própria fragilidade como parte do caminho de fé. “Aquele que reconhece a sua fragilidade e sua total dependência de Deus, sua fraqueza se torna força, a sua limitação se torna realmente plenitude”, afirmou.
ESCUTAR PARA COMPREENDER
Após a celebração, os participantes retomaram as reflexões iniciadas no primeiro dia e foram convidados a olhar mais profundamente para as realidades de seus territórios. O trabalho em grupos foi um dos momentos centrais da programação e teve como objetivo compreender a realidade antes de pensar em possíveis soluções.
A reflexão foi orientada por quatro perguntas: “O que estamos vendo?”, “Por que isso acontece?”, “Quais relações de poder estão presentes?” e “Onde já existem sinais de transformação?”. Primeiro, cada participante teve um momento individual para registrar situações e experiências consideradas importantes. Em seguida, houve uma rodada de escuta, permitindo que todos compartilhassem suas percepções.
A partir das falas, os grupos buscaram identificar situações recorrentes, diferentes experiências, territórios mencionados e grupos afetados. O diálogo avançou para as causas dos problemas e para as relações de poder presentes em cada realidade, procurando compreender não apenas o que acontece, mas por que acontece.
Para Rui Neto, da Pastoral da Juventude e integrante da coordenação arquidiocesana da pastoral em Manaus, o Fórum representa uma oportunidade de aproximar diferentes realidades e fortalecer o trabalho realizado nas bases.
“O Fórum das Juventudes Amazônicas veio num momento essencial para nós, lideranças de juventude, porque é realmente o momento de a gente se aproximar de realidades que não são diferentes da nossa e, principalmente, conhecer outras realidades”, destacou.
Segundo Rui, o processo de escuta e troca também possibilita levar novos aprendizados para os grupos e comunidades. “A gente pode ter a possibilidade de ver uma realidade que combina também com a gente, nessa troca de contribuição, e levar esse conhecimento para nossas bases, para nossos grupos e, assim, fortalecer cada vez mais essa juventude”, afirmou.
A reflexão também contou com a participação de jovens que acompanham diferentes processos e experiências de formação. João Pedro, natural do Ceará e atualmente em Manaus, onde participa da experiência do Plano de Candidatos à Companhia de Jesus, destacou a importância de ouvir as juventudes para compreender tanto suas dificuldades quanto suas potencialidades.
“A juventude sempre tem o que falar, e, se nós nos damos a escutar, vamos ouvir os seus clamores, as suas reivindicações, as suas denúncias, mas também as suas potencialidades e aquilo que elas trazem já como vitórias das suas lutas”, afirmou.
Para João Pedro, acompanhar e escutar as juventudes também transforma a própria atuação daqueles que caminham com elas. “Perceber que essas juventudes também têm um horizonte, acompanhá-las e escutá-las é fundamental para a nossa missão, para a nossa atuação”, destacou.
SINAIS DE TRANSFORMAÇÃO
O exercício dos grupos também abriu espaço para reconhecer pessoas, experiências e práticas que já produzem mudanças nos territórios. A proposta foi olhar para além dos desafios e identificar forças que podem ser fortalecidas.
Ao final, cada grupo apresentou uma síntese com uma grande constatação sobre a realidade analisada, duas ou três causas, uma relação de poder e uma força de transformação. As reflexões foram compartilhadas em plenária, ampliando o diálogo entre as diferentes experiências presentes no Fórum.
No período da tarde, os participantes retomaram os caminhos construídos durante a manhã e avançaram para o discernimento de prioridades, a construção de caminhos e a definição de compromissos. O dia também contou com momentos de convivência e um jantar cultural.
Com a análise das realidades e a identificação de forças de transformação, o segundo dia deu continuidade ao caminho iniciado na abertura do Fórum. Neste domingo (27), último dia do encontro, os participantes seguem reunidos para aprofundar as reflexões, consolidar os compromissos e apontar novos caminhos para a articulação das juventudes na Amazônia.