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Fórum das Juventudes Amazônicas começa hoje em Manaus
Jovens de diferentes territórios se encontram para escutar realidades, conectar experiências e construir caminhos comuns para a região - Guilherme Freitas via MAGIS Brasil
Por Redação Rádio Amar e Servir
Publicado em 25/09/2026 17:50 • Atualizado 25/09/2026 17:52
Juventudes
Fórum das Juventudes Amazônicas

Começa nesta sexta-feira, 25 de setembro, em Manaus (AM), o Fórum das Juventudes Amazônicas. Promovido pelo Centro MAGIS Amazônia, o encontro reunirá jovens de diferentes territórios na Casa de Retiro Ir. Vicente Cañas e seguirá até domingo (27).

A programação contará com momentos de diálogo, formação, convivência e espiritualidade. Quatro verbos orientarão a experiência: escutar, conectar, construir e esperançar.

O Fórum é resultado de um processo iniciado em abril, com a realização on-line do Pré-Fórum das Juventudes Amazônicas. As contribuições daquele encontro ajudaram a identificar questões que atravessam as realidades juvenis e orientaram a preparação da etapa presencial.

Juventudes que querem falar e ser ouvidas

Jovens que estarão no Fórum compartilharam suas expectativas para os próximos três dias. As vozes partem do Acre, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, além de outros territórios da Amazônia.

Laura Gomes da Silva, de 17 anos, participará do encontro em Manaus (AM). Para ela, o Fórum representa uma oportunidade de transformar a escuta em caminhos concretos.

“Minha expectativa para o Fórum é que ele seja um espaço de escuta real e de troca de ideias, onde a gente não apenas debata problemas, mas também proponha caminhos práticos para transformar a nossa realidade”, relata.

Laura também destaca a importância de criar espaços nos quais as juventudes possam falar a partir das próprias experiências.

“Como jovem que vive na Amazônia, vejo esse Fórum como uma oportunidade fundamental para ocuparmos lugares de fala que muitas vezes nos são negados”, afirma.

De Belém (PA), Yara Camile Pereira Marques, de 22 anos, ressalta a possibilidade de conhecer diferentes modos de viver e compreender a Amazônia.

“Acho que isso é importante para desmistificar a ideia de que a Amazônia é só floresta e mostrar toda a sua diversidade, seus povos e suas realidades”, destaca.

A troca de experiências também aparece na expectativa de Andresa Hélio Inácio, de 16 anos, de Bonfim (RR).

“Acredito que ele é muito importante para dar voz aos jovens da Amazônia, valorizando nossas ideias”, explica.

Território, identidade e participação

As expectativas compartilhadas para o Fórum das Juventudes Amazônicas também evidenciam a relação entre juventudes, identidade e defesa dos territórios.

Maycol Pegonca Coba Enomenga, de 23 anos, é um jovem indígena Waorani do Equador. Ele chega ao Fórum com o desejo de compartilhar os desafios enfrentados pelas comunidades próximas às áreas de atividade petrolífera.

Maycol espera que o encontro contribua para fortalecer a liderança juvenil e o compromisso com a proteção dos territórios. Também deseja conhecer experiências de outros jovens e levar novos aprendizados para sua comunidade.

“Espero que este intercâmbio nos permita levar novas ideias aos nossos territórios e seguir construindo um futuro com identidade, liderança e respeito pela nossa Amazônia”, afirma.

Do Acre, Eliz Rona Rodrigues Monteza Manchineri, de 22 anos, também destaca a dimensão comunitária. Sua expectativa é viver “novas experiências e oportunidades para com a comunidade, fortalecendo a participação, o aprendizado e a união das juventudes da Amazônia”.

Douglas Henrique Alves Duarte, de Porto Velho (RO), ressalta a possibilidade de conhecer diferentes culturas e realidades. Para ele, o Fórum pode ampliar a visibilidade das demandas juvenis e fortalecer articulações pela justiça climática e pela defesa dos territórios.

Construir pontes na Amazônia

Em mensagem dirigida aos participantes, o provincial dos jesuítas no Brasil, Pe. Francys Silvestrini Adão, SJ, destacou a oportunidade de colocar experiências em comum e construir propostas a partir da diversidade amazônica.

“Queremos nos aproximar nas diferenças e diversidades que são as nossas”, afirmou.

Para Pe. Francys, a realidade amazônica constitui “um dom de Deus para a Igreja e para o mundo”. Nesse contexto, as experiências construídas pelas juventudes têm muito a oferecer.

O provincial também incentivou os participantes a viverem o Fórum com abertura e generosidade. A expectativa é que o encontro favoreça novas conexões entre jovens, comunidades, organizações, obras e serviços presentes nos territórios.

Essa perspectiva acompanha o caminho proposto pelo Fórum: escutar as juventudes, conectar experiências, reconhecer iniciativas e construir respostas coletivas aos desafios da região.

Um processo que continua

Mais do que um encontro de três dias, o Fórum das Juventudes Amazônicas busca fortalecer uma rede entre pessoas e organizações comprometidas com as juventudes da região.

As experiências e reflexões compartilhadas em Manaus poderão alimentar novos processos, articulações e ações nos diferentes territórios.

O Fórum é realizado pelo Centro MAGIS Amazônia, em articulação com a Frente Apostólica Juventudes e Vocações e outras obras e serviços da Companhia de Jesus. A iniciativa integra a atuação da Rede Inaciana de Juventude, MAGIS Brasil.

A experiência se conecta especialmente aos eixos de Justiça Socioambiental, Pedagogia da Formação e Vocações do Programa MAGIS. Também dialoga com as Preferências Apostólicas Universais da Companhia de Jesus, sobretudo no compromisso de acompanhar os jovens e colaborar no cuidado da Casa Comum.

Ao unir espiritualidade, escuta e ação, o Fórum convida as juventudes a serem contemplativas na ação, comprometidas com seus territórios e com a construção de novos caminhos para a Amazônia.

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