Na audiência geral desta quarta-feira, 23 de setembro, na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV refletiu sobre o sentido do trabalho e do progresso técnico, social e científico. Dando continuidade às catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, ele retomou a constituição pastoral Gaudium et spes para perguntar: qual é o valor da atividade humana no mundo?
Leão XIV afirmou que a inteligência e a liberdade permitem ao ser humano ampliar seus conhecimentos e melhorar as condições de vida da sociedade. Segundo o Papa, essas conquistas não precisam ser vistas como uma ameaça à fé. Ao citar o documento conciliar, recordou que o esforço humano para construir uma vida melhor “corresponde à vontade de Deus”.
A reflexão também alcançou a vida cotidiana. O Pontífice destacou que encontrar Deus não exige deixar de lado as ocupações do mundo: é possível viver a própria vocação ao realizar bem o trabalho diário. Ele lembrou que, na Eucaristia, o pão e o vinho levados ao altar representam também os frutos do trabalho humano.
Para o Papa, porém, o avanço científico só se torna desenvolvimento humano pleno quando beneficia a todos. Por isso, pediu que o progresso seja orientado pela caridade, defenda a dignidade de cada pessoa e melhore especialmente a vida dos mais desfavorecidos. Aos peregrinos de língua portuguesa, reforçou o convite a defender a dignidade humana e promover as condições de vida do próximo.
Ao fim da audiência, Leão XIV fez um apelo em favor dos migrantes e refugiados, às vésperas do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, celebrado no próximo domingo, 27 de setembro. O Papa chamou atenção para crianças e adolescentes obrigados a deixar sua terra e expostos à violência, à exploração e aos perigos das rotas migratórias. Pediu que todos assumam a responsabilidade de protegê-los e assisti-los.