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CNBB divulga mensagem ao povo brasileiro ao final da 62ª Assembleia Geral
Reunidos no Santuário Nacional de Aparecida, os bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil divulgaram, na manhã desta sexta-feira (24), a mensagem oficial ao povo brasileiro, marcando o encerramento da 62ª Assembleia Geral. O texto é um retrato profundo da realidade do país e traz ao mesmo tempo denúncias, alertas e sinais de esperança, à luz da fé em Jesus Ressuscitado
Por Murilo Galhardo
Publicado em 24/04/2026 11:41
62ª AGCNBB
62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil - 2026
 

Os bispos do Conferência Nacional dos Bispos do Brasil divulgaram, na manhã desta sexta-feira (24), a mensagem oficial ao povo brasileiro ao final da 62ª Assembleia Geral, realizada no Santuário Nacional de Aparecida. O texto reúne reflexões sobre a realidade do país e apresenta um chamado à esperança, à responsabilidade social e ao compromisso com a vida e a democracia.

Iluminados pela fé em Jesus Ressuscitado, os bispos afirmam que, mesmo diante de um cenário desafiador, ainda é possível reconhecer sinais concretos de esperança no Brasil. Entre eles, destacam iniciativas de solidariedade, o compromisso com os mais pobres, a valorização da democracia e a defesa da dignidade humana em todas as suas etapas. Segundo a mensagem, essas experiências são sementes que florescem nas comunidades e apontam caminhos de reconstrução para o país.

Ao mesmo tempo, o documento não deixa de fazer críticas contundentes à realidade atual. Os bispos chamam atenção para o aumento da violência, especialmente nas periferias urbanas, onde o crime organizado, o narcotráfico e as milícias acabam ocupando espaços deixados pela ausência do Estado. Esse cenário, segundo o texto, fragiliza as instituições e impõe à população um cotidiano marcado pelo medo e pela insegurança.

A mensagem também dedica um espaço importante à denúncia da violência contra as mulheres, destacando o crescimento dos casos de feminicídio e das diversas formas de agressão, que vão desde a violência física e psicológica até a desigualdade econômica e a exclusão dos espaços de poder. Os bispos alertam que a situação se torna ainda mais grave quando atinge mulheres pobres, negras e periféricas, que frequentemente enfrentam também a omissão institucional e a banalização da dor.

No campo social e histórico, o texto recorda que o tráfico de pessoas escravizadas foi um dos maiores crimes contra a humanidade e afirma que o Brasil ainda precisa enfrentar com mais coragem as consequências do racismo estrutural. Além disso, denuncia conflitos no campo e nas comunidades tradicionais, onde disputas por terra, água e território continuam gerando sofrimento, expulsões e violência.

A crise ética e política também é abordada de forma direta. Os bispos criticam a corrupção, apontando que ela compromete a confiança da população, desvia recursos públicos e enfraquece a democracia. Nesse contexto, defendem o fortalecimento das instituições, da transparência e da responsabilidade na vida pública. O texto também manifesta preocupação com discussões que podem precarizar relações de trabalho, como a chamada “pejotização”, e reforça a importância de garantir direitos trabalhistas e condições dignas de vida.

Em um ano eleitoral, a CNBB faz um apelo especial à participação consciente da população. Os bispos incentivam os brasileiros a exercerem o voto com responsabilidade, lembrando que “o voto não tem preço, tem consequências”. A mensagem destaca a importância de escolher candidatos comprometidos com o bem comum, especialmente com os mais vulneráveis, e alerta para práticas como a compra de votos. Também reforça que a relação entre religião e política deve respeitar a autonomia de cada სფერ, evitando qualquer tipo de instrumentalização da fé.

Outro ponto de destaque é a preocupação com a desinformação e o uso indevido das novas tecnologias. Os bispos alertam para a disseminação de notícias falsas, discursos de ódio e manipulação da opinião pública, inclusive por meio da inteligência artificial, fenômenos que colocam em risco a verdade, o debate democrático e a convivência social.

A mensagem ainda aborda a crise ambiental, com atenção especial à Amazônia, ressaltando que os impactos das mudanças climáticas atingem todos os biomas e povos. Os bispos criticam modelos de exploração que sacrificam a natureza e as populações em nome do lucro e defendem a necessidade de preservar a “casa comum”. Nesse contexto, reafirmam a importância de proteger os povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, destacando que qualquer solução deve passar pelo diálogo, pela escuta e pelo respeito aos seus direitos.

Ao concluir a mensagem, os bispos reafirmam que o povo brasileiro não pode perder a esperança. Inspirados em São Francisco de Assis, cuja memória jubilar é celebrada pela Igreja, eles renovam o compromisso de promover a paz e o bem. Sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida, a CNBB convida toda a sociedade a construir um país mais justo, fraterno e solidário, fundamentado na verdade, na justiça e no cuidado com a vida.

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