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“Não podemos prometer o que Jesus não prometeu”, afirma Dom Leomar Antônio Brustolin na Assembleia
No 4º dia do encontro da CNBB, bispos aprofundam as novas diretrizes da evangelização, destacando uma Igreja cada vez mais sinodal, participativa e fiel ao anúncio autêntico de Cristo diante dos desafios da sociedade atual
Por Murilo Galhardo
Publicado em 18/04/2026 12:00 • Atualizado 18/04/2026 12:04
62ª AGCNBB
62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil - 2026

Aparecida (SP) – O quarto dia da 62ª Assembleia Geral da CNBB foi marcado por um dos temas mais estruturantes da vida da Igreja no Brasil: as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora. Em coletiva de imprensa, os bispos apresentaram não apenas o conteúdo em construção, mas o espírito que conduz esse processo — uma Igreja que escuta, discerne e busca responder, com fidelidade ao Evangelho, às transformações rápidas da sociedade brasileira.

O arcebispo Dom Leomar Antônio Brustolin destacou que as diretrizes não devem ser compreendidas como um plano rígido ou engessado, mas como indicações de caminho diante de uma realidade diversa e em constante mudança. Ao explicar o processo, ele ressaltou que se trata de um esforço coletivo que leva em conta a pluralidade do país e a necessidade de discernimento pastoral contínuo.

“Diretrizes são linhas da ação evangelizadora, não é um planejamento, mas são caminhos indicativos de onde devemos andar.”

Esse caminho, segundo o arcebispo, foi construído ao longo de quatro anos, marcados por escuta, participação e amadurecimento dentro da Igreja.

“Foram praticamente quatro anos de escuta, colhendo sugestões e ouvindo os organismos da Igreja.”

A centralidade desse processo aparece também na forma como as diretrizes estão sendo pensadas. O bispo Dom Pedro Carlos Cipollini explicou que a sinodalidade não é apenas um tema presente no documento, mas o próprio método utilizado na sua construção. Trata-se de uma Igreja que aprende a caminhar junto, valorizando a escuta e a participação de todos.

“As diretrizes estão sendo construídas de forma sinodal, na qual a escuta, a acolhida e a participação geram comunhão.”

Nesse sentido, ele reforçou que o objetivo maior é garantir unidade na evangelização, sem apagar a diversidade das realidades locais, mas fortalecendo a comunhão entre elas.

“A evangelização deve ser feita em comunidade, em comunhão, não é cada um por si.”

Ao mesmo tempo, os bispos fizeram questão de destacar que essas diretrizes não se afastam da realidade concreta do país. Pelo contrário, nascem justamente da leitura dos desafios atuais, como a violência, a polarização social e as crises que atingem diretamente o cotidiano das pessoas. Nesse contexto, a Igreja se coloca como promotora de uma cultura de paz, que precisa ser construída desde as bases da sociedade.

“Precisamos pensar numa educação para a paz, inclusive nas escolas, diante das violências que afetam o cotidiano.”

Mas talvez o ponto mais forte da coletiva tenha sido o alerta sobre a autenticidade da evangelização. Em um cenário marcado por promessas fáceis e discursos religiosos superficiais, Dom Leomar foi direto ao reafirmar o núcleo da missão da Igreja.

“Nós anunciamos Jesus. Não podemos prometer o que Jesus não prometeu.”

A afirmação sintetiza a preocupação dos bispos em manter o anúncio cristão fiel ao Evangelho, sem reduzi-lo a interesses imediatos ou expectativas distorcidas. Trata-se de uma evangelização que não impõe, mas propõe, como também reforçou Dom Pedro ao falar da liberdade e da dignidade da pessoa humana no processo de fé.

“A Igreja não impõe, ela propõe Jesus e aguarda a conversão.”

Mesmo diante de tantos desafios, os bispos também apontaram sinais concretos de esperança. Um deles é o crescimento do número de adultos que buscam o batismo, indicando uma procura por uma experiência de fé mais consciente e profunda.

“No ano passado, 23 mil adultos foram batizados no Brasil na Páscoa.”

Ao final, o que se desenha neste quarto dia da Assembleia é o retrato de uma Igreja que, sem abrir mão de sua identidade, busca se renovar na forma de evangelizar. Uma Igreja que escuta mais, caminha junto e procura responder aos desafios do tempo presente com unidade, comunhão e fidelidade ao essencial: o anúncio de Jesus Cristo.

 

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