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CEAMA elege nova presidência e reafirma missão de uma Igreja com rosto amazônico e em saída
Em sintonia com a missão inaciana na Amazônia, nova liderança reforça o discernimento comunitário, a defesa da vida e o cuidado da Casa Comum
Por Jéssica Maia
Publicado em 20/03/2026 13:57
Justiça Socioambiental
Foto: CEAMA

A Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) elegeu sua nova presidência para o período de 2026 a 2030, durante a VI Assembleia Geral realizada em Bogotá, na Colômbia. A escolha marca um novo passo no caminho de uma Igreja sinodal, missionária e profundamente encarnada na realidade amazônica.

À luz da espiritualidade inaciana, esse momento pode ser compreendido como fruto de um processo de discernimento comunitário, no qual a escuta do Espírito se dá na realidade concreta dos povos e dos territórios um modo de proceder que ressoa diretamente com as Preferências Apostólicas Universais da Companhia de Jesus, especialmente o compromisso com a Amazônia.

Discernir a missão a partir do território

A nova presidência da Ceama é composta pelo cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus (Brasil), como presidente; e os vice-presidentes: o pe. Jesús Huamán, do Vicariato Apostólico de Puerto Maldonado (Peru); Juan Urañavi, do Vicariato Apostólico de Ñuflo de Chávez (Bolívia), Marva Joy Hawksworth da Diocese de Georgetown (Guiana); e irmã Sônia Maria Pinho de Matos, da Arquidiocese de Manaus (Brasil).

A nova presidência, liderada pelo cardeal Leonardo Ulrich Steiner, OFM, arcebispo de Manaus (Brasil), expressa uma Igreja que não apenas atua na Amazônia, mas que aprende com ela. Trata-se de uma presença que busca “sentir e saborear internamente” a realidade, como propõe Santo Inácio de Loyola, deixando-se conduzir por Deus na história concreta dos povos amazônicos.

Ao lado do presidente, compõem a vice-presidência representantes do clero, da vida religiosa, do laicato e dos povos originários. Sinal de uma Igreja que reconhece a diversidade como lugar de revelação e caminho de comunhão. São eles, os vice-presidentes: o pe. Jesús Huamán, do Vicariato Apostólico de Puerto Maldonado (Peru); Juan Urañavi, do Vicariato Apostólico de Ñuflo de Chávez (Bolívia), Marva Joy Hawksworth da Diocese de Georgetown (Guiana); e irmã Sônia Maria Pinho de Matos, da Arquidiocese de Manaus (Brasil).

Uma Igreja com rosto amazônico

A nova liderança reafirma o horizonte apontado pelo Papa Francisco na exortação Querida Amazônia: uma Igreja com rosto amazônico, comprometida com os sonhos social, cultural, ecológico e eclesial para a região.

Nesse sentido, a missão da CEAMA se alinha ao chamado inaciano de “caminhar com os pobres e os descartados”, promovendo justiça socioambiental e defendendo a dignidade dos povos originários, muitas vezes ameaçados por estruturas de exploração e exclusão.

Sinodalidade como modo de proceder

A composição plural da presidência com a presença de lideranças indígenas, como Juan Urañavi, e representantes do laicato e da vida religiosa, evidencia uma Igreja que caminha junto, onde todos são chamados a participar da missão.

Esse dinamismo reflete o “corpo apostólico” tão caro à espiritualidade inaciana: uma comunidade em missão, onde cada vocação contribui para o bem maior, em resposta aos desafios concretos do mundo.

Comunicação a partir da Amazônia

Durante a assembleia, o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, destacou a importância de uma comunicação que não apenas fale sobre a Amazônia, mas que nasça dela.

Segundo ele, "não devemos confundir a comunicação com a mera difusão de notícias. As notícias são necessárias, mas têm um ciclo muito curto e operam dentro de uma hierarquia editorial que decide o que importa e o que não importa. A história da Amazônia aparece quando há uma catástrofe, quando há uma cúpula, quando um líder indígena é assassinado". 

Nesse sentido, Ruffini convida a “agir nas plataformas dominantes sem deixar-se colonizar pela lógica do mesmo sistema midiático que marginaliza a Amazônia. A comunicação global eficaz sobre essas questões, ao contrário, exige uma gramática plural de linguagens, cada uma com uma função e um público diferente."

Essa perspectiva dialoga com o chamado inaciano a encontrar Deus em todas as coisas, inclusive nas narrativas, culturas e expressões dos povos amazônicos, valorizando uma “gramática plural” capaz de dar voz às realidades muitas vezes invisibilizadas.

Um novo tempo de esperança e missão

A eleição da nova presidência da CEAMA sinaliza um tempo de renovação e compromisso. Mais do que uma mudança de liderança, trata-se da continuidade de um caminho que busca responder, com fé e criatividade, aos desafios da Amazônia.

 

Em sintonia com a espiritualidade inaciana, a Igreja na região segue chamada a discernir, servir e amar, sendo presença que escuta, acompanha e se compromete com a vida — especialmente onde ela é mais ameaçada.

Com informações Vatican News

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