O Brasil jovem não cabe em uma única narrativa. Ele se expressa em múltiplas vozes, ritmos e realidades, do interior às grandes metrópoles, das comunidades ribeirinhas às periferias urbanas. Essa diversidade marcou as partilhas do Encontro Nacional da Comissão Episcopal para a Juventude, realizado entre os dias 6 e 8 de fevereiro, em Brasília (DF).
Bispos referenciais, padres assessores e lideranças da Pastoral Juvenil apresentaram um retrato vivo do que tem mobilizado, desafiado e animado a evangelização com as juventudes no país. Apesar das diferenças regionais, emergiram elementos comuns: os jovens respondem quando encontram presença, acompanhamento e sentido, e a Igreja é chamada a sustentar essa resposta por meio de processos contínuos e próximos da vida.
Um dos pontos mais recorrentes foi a força dos grandes eventos juvenis e, ao mesmo tempo, a dificuldade de transformar essas experiências em caminhos permanentes de formação e inserção comunitária. A emoção do encontro, reconheceram os participantes, não garante por si só a permanência; o desafio está no “dia seguinte”, quando a pastoral precisa oferecer acompanhamento, vínculos e propostas consistentes.
As partilhas também evidenciaram tensões na relação entre juventude e clero. Em alguns territórios, há dificuldade de engajamento presbiteral na pauta juvenil; em outros, a ausência de assessoria estável fragiliza a articulação diocesana. Por outro lado, onde há proximidade entre bispos, padres e jovens, a caminhada ganha fôlego, cresce a unidade e surgem novas iniciativas pastorais.
Realidade social, violência e cultura digital
O contexto social apareceu como fator determinante da ação evangelizadora. Em regiões marcadas pela violência e vulnerabilidade, a pastoral juvenil convive com urgências diárias e com o dado mais doloroso: a juventude figura entre as principais vítimas da insegurança.
A cultura digital também foi apontada como desafio e oportunidade. Se, por um lado, amplia o alcance da comunicação, por outro pode fragmentar a experiência comunitária e favorecer vivências religiosas mais superficiais, desconectadas de processos espirituais profundos e de compromissos concretos com a realidade.
Somam-se a isso as dimensões territoriais do país, que dificultam encontros frequentes e acompanhamento constante. Como resposta, surgem estratégias criativas: divisão por frentes, corresponsabilidade das equipes e novas formas de presença pastoral nos territórios.
Sinais de esperança
Apesar dos desafios, os participantes destacaram sinais consistentes de esperança. A vitalidade juvenil se manifesta em encontros que reúnem milhares de jovens, no fortalecimento de grupos paroquiais e na convivência entre diferentes carismas, quando há unidade e respeito.
Chamaram atenção também iniciativas voltadas à escuta, à saúde mental e à presença missionária em espaços públicos. Em algumas realidades, o trabalho com juventude chega a ser reconhecido por instituições civis, sinal de que, quando a Igreja se aproxima da vida concreta, ela é percebida como presença que cuida e caminha junto.