A formação cristã verdadeira exige paciência, escuta e acompanhamento. Foi com esse olhar pastoral que o Papa Leão XIV recebeu, no Vaticano, os participantes da III Assembleia Plenária do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Em seu discurso, o Pontífice recordou que formar na fé é uma missão exigente, que não se improvisa e precisa estar profundamente enraizada na vida da Igreja.
O encontro reuniu cerca de 60 participantes para refletir sobre a formação cristã e os Encontros Mundiais, realidades que, segundo o Papa, são essenciais para a vida e a missão eclesial.
Inspirado nas palavras de São Paulo — “Até que Cristo seja formado em vós” (Gal 4,19) —, Leão XIV sublinhou que a missão da Igreja vai além da transmissão de conteúdos religiosos. Formar cristãos significa gerar vida espiritual, acompanhar processos e partilhar a experiência de fé.
“Não podemos nos limitar a transmitir doutrina ou normas. Somos chamados a partilhar o que vivemos, com amor sincero pelas pessoas, como pais que se sacrificam pelo bem dos filhos.”
A fé nasce na comunidade
O Papa destacou que a fé não nasce de forma isolada, mas é fruto da vida comunitária. Assim como a vida humana é transmitida pelo amor de uma família, a vida cristã floresce no seio da Igreja.
Para Leão XIV, a formação é responsabilidade de todo o povo de Deus: famílias, jovens, consagrados e lideranças caminham juntos na missão de transmitir às novas gerações a alegria do Evangelho.
Essa visão reforça o caráter comunitário da Igreja: não é a ação isolada de um sacerdote ou catequista que gera a fé, mas a experiência viva de uma comunidade animada pela caridade.
Formação que protege a vida
Entre os pontos centrais do discurso, o Papa destacou a importância de que os processos formativos incluam o cuidado com a dignidade humana e a prevenção de abusos nas comunidades.
Ele foi direto ao afirmar que esse compromisso é indispensável:
“É necessário cuidar dos aspectos formativos que contribuam para prevenir qualquer forma de abuso contra menores e pessoas vulneráveis, bem como acompanhar e apoiar as vítimas.”
O Pontífice recordou que a formação cristã precisa ajudar os fiéis a amadurecer uma nova forma de viver, que alcance todas as dimensões da existência: a vida familiar, o trabalho, as relações e o cotidiano.
A arte de formar: caminho de paciência e esperança
Leão XIV recordou que a formação é um processo longo, que exige escuta, acompanhamento e discernimento contínuo, tanto pessoal quanto comunitário.
Mesmo diante dos desafios, o Papa encorajou os participantes a não desanimarem, convidando-os a confiar na lógica evangélica do grão de mostarda.
“Comecem pelo pequeno, confiantes de que o Senhor nunca os deixará e dará as graças necessárias no momento oportuno.”
A mensagem final do Papa ecoa como convite à esperança: formar na fé é um caminho paciente e silencioso, mas capaz de transformar vidas e fortalecer a Igreja para cuidar, proteger e gerar novos discípulos.
Com informações Vatican News