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Papa Leão XIV na solenidade de Pedro e Paulo: “sejamos construtores de unidade”
Durante a Missa na Basílica de São Pedro, o Pontífice impôs o pálio aos novos arcebispos metropolitanos e recordou que a comunhão da Igreja nasce da escuta, da conversão e da caridade
Por Murilo Galhardo
Publicado em 29/06/2026 11:54
Igreja
Papa com os arcebispos que receberam o pálio - (@Vatican Media)

Na Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, padroeiros da cidade e da Diocese de Roma, o Papa Leão XIV presidiu a Santa Missa na Basílica de São Pedro, no Vaticano, em uma celebração marcada por símbolos profundos de fé, comunhão e missão.

Durante a cerimônia, o Pontífice realizou o antigo rito de bênção e imposição do pálio aos novos arcebispos metropolitanos nomeados nos últimos doze meses. Ao todo, 35 arcebispos receberam o sinal litúrgico, entre eles quatro brasileiros: Dom Júlio Endi Akamine, arcebispo de Belém do Pará; Dom José Roberto Fortes Palau, arcebispo de Sorocaba; Dom Marco Aurélio Gubiotti, arcebispo de Juiz de Fora; e Dom Mário Antônio da Silva, arcebispo de Aparecida.

Na homilia, o Papa apresentou Pedro e Paulo como duas colunas da Igreja, não por terem vivido sem fragilidades, mas porque se deixaram conduzir pela graça de Deus até o testemunho pleno do Evangelho. Pedro, chamado por Cristo a confirmar os irmãos na fé, aparece como aquele que guarda a comunhão. Paulo, transformado pela Palavra, torna-se o incansável anunciador da Boa Nova.

Leão XIV recordou que Pedro não foi um homem sem erros. Negou o Mestre durante a Paixão, chorou seu pecado e retomou a missão. Essa humanidade ferida, mas reconciliada, torna ainda mais forte o seu testemunho. Para o Papa, a grandeza de Pedro está na capacidade de reconhecer os próprios limites, arrepender-se e continuar servindo à unidade da Igreja.


O Pontífice usou a imagem das chaves, tradicionalmente associadas a São Pedro, para explicar o verdadeiro sentido da comunhão. Uma chave, disse ele, não derruba portas. Ela abre caminhos, desbloqueia passagens e une espaços antes separados. Assim também deve ser a Igreja: não uma comunidade fechada em posições endurecidas, mas uma casa capaz de procurar pontos de encontro na verdade e na caridade.

Ao falar de São Paulo, Leão XIV destacou a força transformadora da Palavra de Deus. O Apóstolo dos Gentios, antes perseguidor dos cristãos, foi alcançado por Cristo e conduzido do caminho da violência ao caminho do amor. Sua vida mostra que ninguém está condenado a permanecer preso ao próprio passado quando se deixa tocar pela graça.

A partir do testemunho dos dois apóstolos, o Papa fez um chamado a todos os cristãos: ser construtores de unidade e servidores generosos da verdade na caridade. Para Leão XIV, a unidade não nasce da rigidez, nem da imposição, mas da capacidade de escutar, discernir, corrigir, encorajar e caminhar com os irmãos.

Esse apelo ganha ainda mais força no rito do pálio. A faixa de lã branca, marcada por cruzes, é colocada sobre os ombros dos arcebispos metropolitanos como sinal de comunhão com o Sucessor de Pedro e de responsabilidade pastoral. Mais do que uma insígnia, o pálio recorda que o pastor é chamado a carregar nos ombros aqueles que lhe foram confiados, oferecendo tempo, forças e a própria vida para que o Evangelho chegue a todos.

A celebração também teve um importante sinal ecumênico. Como acontece tradicionalmente nesta solenidade, esteve presente uma delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. O gesto expressa os laços de fraternidade entre Roma e Constantinopla e recorda o desejo de caminhar rumo à plena comunhão entre os cristãos.

Ao final da homilia, Leão XIV convidou a Igreja a rezar a São Pedro e São Paulo para que sustentem todos no caminho da comunhão, seguindo as pegadas de Cristo. Uma mensagem que ultrapassa os muros da Basílica Vaticana e chega ao coração da vida cristã: em tempos de divisões, polarizações e feridas abertas, a missão da Igreja é abrir portas, reconstruir vínculos e testemunhar a verdade com caridade.

Na solenidade dos seus dois grandes apóstolos, a Igreja é chamada a olhar para Pedro e Paulo não como figuras distantes do passado, mas como mestres para o presente. Pedro ensina a humildade de quem cai, chora e recomeça. Paulo ensina a coragem de quem se deixa transformar e parte em missão.

Entre as chaves de Pedro e a espada da Palavra anunciada por Paulo, permanece o mesmo chamado: servir ao Evangelho, carregar os irmãos nos ombros e construir uma Igreja cada vez mais unida, missionária e acolhedora.

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