No coração de São Paulo, o Centro Magis Anchietanum promoveu, hoje, um encontro marcante com a base da casa para celebrar o Cristo Ressuscitado. Mais do que uma atividade espiritual, o momento se revelou como uma verdadeira experiência de fé viva, onde oração, escuta e partilha se entrelaçaram para reacender a esperança e renovar o sentido da missão.
Em sintonia com a espiritualidade de Santo Inácio de Loyola, o encontro conduziu os participantes a uma experiência concreta de Deus que não se limita ao extraordinário, mas se manifesta no cotidiano, nas relações e no serviço.
Ressurreição: uma experiência que se vive em comunidade
Para o irmão Douglas jesuíta, jesuíta e colaborador do eixo de vocações, o encontro reforçou uma certeza essencial: a Ressurreição não pode ser vivida de forma isolada.
“O encontro verdadeiro com o Ressuscitado nunca é uma experiência individual, mas sim coletiva e comunitária”, afirmou.
Segundo ele, essa vivência não é apenas uma compreensão teórica, mas nasce da própria experiência concreta da fé. O Cristo Ressuscitado se revela na comunhão, no caminhar conjunto e na partilha. É nesse espaço comunitário que a presença de Deus se torna mais evidente e transformadora.
Douglas destaca ainda que essa realidade está profundamente enraizada no Evangelho, onde o próprio Cristo se manifesta aos discípulos reunidos e os envia em missão juntos. A comunidade, portanto, não é um detalhe, mas o lugar privilegiado do encontro com Deus.
Corações ardentes: reconhecer Cristo no caminho
Ao refletir sobre os frutos do encontro, Douglas recorre à experiência dos discípulos de Emaús para iluminar a vida cotidiana. Ele ressalta que, assim como eles, também hoje somos chamados a reconhecer Cristo ao longo do caminho.
“É preciso tirar as vendas dos olhos, cultivar um coração em chama e estar atento aos sinais do Ressuscitado”, destacou.
A proposta é clara: desenvolver uma espiritualidade ativa, capaz de perceber Deus presente nas realidades mais simples — inclusive nas dores, nos desafios e nas incertezas. O encontro, nesse sentido, não se encerra no momento de oração, mas continua na vida, nas escolhas e nas atitudes de cada dia.

Cristo vivo no ordinário da vida
Essa mesma perspectiva foi aprofundada por Kennedy Amorim de Souza, pastoralista do Centro Magis, que partilhou como a vivência espiritual no local tem renovado sua fé.
“A Ressurreição de Cristo não é um evento do passado, mas uma realidade presente”, afirmou.
Para Kennedy, o grande desafio da fé está em reconhecer essa presença viva de Cristo no cotidiano, nas tarefas simples e nas relações humanas. Segundo ele, é justamente no ordinário da vida que Deus se revela com mais profundidade.
Essa compreensão transforma o olhar: o que antes parecia comum passa a ser percebido como espaço sagrado, lugar de encontro com Deus.
Vocação, juventude e missão
Mesmo com pouco tempo de atuação no Centro Magis Anchietanum, Kennedy já demonstra clareza sobre a missão que assume. Ele compreende o encontro com o Ressuscitado como resposta a um chamado pessoal de Cristo, que se concretiza no serviço aos outros.
A missão do Centro, segundo ele, passa diretamente pelo acompanhamento das juventudes e pelo discernimento vocacional. Trata-se de caminhar com os jovens, escutar suas realidades e ajudá-los a reconhecer a voz de Deus em suas vidas.
“Somos chamados a ajudar os jovens a escutar e discernir o chamado de Cristo”, destacou.
Ressuscitar é viver para o outro
Encerrando sua reflexão, Kennedy deixou uma mensagem forte e inspiradora, especialmente para os jovens: viver a Ressurreição é assumir um caminho de transformação interior que se traduz em amor concreto.
“Cristo nos chama a uma ressurreição autêntica, que começa a partir do nosso verdadeiro eu”, afirmou.
Essa ressurreição, segundo ele, exige despojamento, entrega e abertura à vontade de Deus. Trata-se de sair de si mesmo para viver em favor do próximo, tornando-se sinal de esperança em meio às dores do mundo.
Uma experiência que continua na vida
O encontro vivido no Centro Magis Anchietanum reafirma uma verdade central da fé cristã: Cristo está vivo e continua caminhando com seu povo. Sua presença se manifesta na comunidade, no cotidiano e na missão.
Mais do que um momento isolado, a experiência se torna envio. Cada participante é chamado a levar consigo aquilo que viveu: um coração ardente, um olhar atento e uma vida disponível para amar e servir.
Como ensina a espiritualidade inaciana, o desafio permanece atual e urgente:
encontrar Deus em todas as coisas e, em tudo, amar e servir.