Na celebração da Quinta-feira Santa, marcada por profundo significado para a Igreja Católica, o Papa Leão XIV presidiu, na Basílica de São Pedro, a tradicional Missa do Crisma, reunindo patriarcas, cardeais, arcebispos, bispos e presbíteros de diversas partes do mundo. A cerimônia, que antecede o Tríduo Pascal, foi marcada pela renovação das promessas sacerdotais e pela bênção dos santos óleos, utilizados nos sacramentos ao longo do ano.
Em sua homilia, o Pontífice destacou três pilares fundamentais da missão cristã: o desapego, o encontro e a coragem diante da rejeição. Segundo ele, renovar o “sim” a Jesus exige uma vivência concreta da unidade, capaz de gerar paz em meio aos desafios do mundo contemporâneo.
O Papa ressaltou que o primeiro passo da missão é o desapego, entendido como a capacidade de “esvaziar-se” para permitir o verdadeiro encontro com o outro. “O amor só é verdadeiro se estiver desarmado, sem ostentação, capaz de acolher a fragilidade”, afirmou. Para ele, não há anúncio autêntico do Evangelho quando este é acompanhado por sinais de poder ou interesses pessoais.
Na sequência, o Pontífice abordou a importância do encontro como expressão viva da Igreja em comunhão. Ele alertou para os riscos de uma missão distorcida por lógicas de dominação e reforçou que o caminho cristão passa pelo serviço desinteressado, pelo diálogo e pelo respeito. “Os grandes missionários são testemunhas de proximidade, que partilham a vida e acolhem antes de querer ser acolhidos”, destacou.

Um momento da Missa do Crisma na Basílica de São Pedro (@Vatican Media)
Por fim, o Papa refletiu sobre a dimensão mais exigente da missão: a possibilidade de rejeição e incompreensão. Inspirando-se na experiência de Cristo e no testemunho de santos como Óscar Romero, ele encorajou os fiéis a não recuarem diante das dificuldades. “A cruz faz parte da missão. Não devemos fugir, mas atravessar a provação com fé e esperança”, disse.
Em um forte apelo final, o Santo Padre convidou toda a Igreja a renovar seu compromisso missionário: “Nesta hora sombria da história, foi do agrado de Deus enviar-nos para difundir o perfume de Cristo onde reina o odor da morte. Renovemos o nosso ‘sim’ a esta missão que nos exige unidade e que traz a paz”.
Leão XIV com a ampola do crisma - (@Vatican Media)
A Missa do Crisma reforça, assim, o chamado à fidelidade, à comunhão e ao serviço, elementos essenciais para que a Igreja continue sendo sinal de esperança no mundo.
Com informações de Vatican Media