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Jovens são presas fáceis da guerra, afirma Cardeal Parolin
O secretário de Estado do Vaticano fez uma intervenção em Sacrofano na Cátedra de Acolhida, evento formativo e cultural que chegou à sua quarta edição
Por Redação Rádio Amar e Servir
Publicado em 11/03/2026 09:30
Juventudes
Foto: Vatican Media

Os jovens precisam de oportunidades, perspectivas e espaços de participação para contribuir na construção de um futuro de paz. Esse foi o apelo feito pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, durante um encontro dedicado ao tema “Jovens e Igreja: acolhimentos que geram pertencimento”, realizado na Fraterna Domus de Sacrofano, próximo a Roma.

O evento integrou a iniciativa cultural e formativa Cátedra da Acolhida, promovida por movimentos e organizações do Terceiro Setor em colaboração com a Pontifícia Universidade Lateranense, que há quatro anos promove espaços de diálogo sobre temas sociais e eclesiais contemporâneos.

Durante a abertura dos trabalhos, Parolin refletiu sobre os desafios que marcam a realidade das novas gerações em diferentes partes do mundo. O cardeal recordou os jovens vítimas de conflitos armados, obrigados a lutar em regiões como a Ucrânia e vários países africanos, assim como aqueles que se tornam presas fáceis do extremismo por falta de oportunidades.

Segundo ele, muitos jovens também enfrentam dificuldades de integração, especialmente no contexto da migração, ou vivem crises pessoais marcadas pela sensação de inadequação diante das responsabilidades impostas pela sociedade. Outros acabam se afastando da realidade, refugiando-se no mundo virtual ou tendo dificuldade em construir sua própria identidade, inclusive a identidade cristã.

Migração e queda da natalidade

Parolin destacou ainda dois fenômenos que marcam profundamente o cenário atual: a migração e a queda da natalidade. Sobre a integração de migrantes, afirmou que se trata de um desafio ainda não resolvido em muitas partes do mundo, exigindo maior reflexão e novas soluções.

Outro ponto de preocupação é a diminuição do número de nascimentos, sobretudo no mundo ocidental. Para o cardeal, o medo do futuro — alimentado por guerras, crises econômicas e insegurança social — leva muitos jovens a evitar ter filhos.

“O medo de um futuro marcado por sofrimento e incerteza influencia a relutância em gerar vida”, afirmou. Quando o filho é visto como um peso ou um limite à realização pessoal, explicou, a abertura à vida se enfraquece e compromete as gerações futuras.

O risco dos extremismos

Ao falar da realidade africana, o secretário de Estado observou que, embora o continente apresente crescimento demográfico significativo, muitos jovens continuam sem acesso adequado à educação, ao trabalho e a oportunidades de desenvolvimento. Essa falta de perspectivas, alertou, pode torná-los vulneráveis à manipulação de grupos extremistas.

Em muitos conflitos contemporâneos, acrescentou, são justamente os jovens que acabam sendo enviados às linhas de frente das guerras, inclusive em conflitos muitas vezes esquecidos pela comunidade internacional.

Jovens nas instituições e na vida pública

Outro aspecto destacado por Parolin foi a necessidade de ampliar a presença juvenil nas instituições políticas e internacionais. Segundo ele, muitas negociações e processos decisórios ainda são conduzidos majoritariamente por pessoas mais velhas, quando a participação dos jovens poderia trazer soluções novas e criativas.

“O futuro pertence aos jovens, mas não apenas por isso eles devem participar: muitas vezes são justamente eles que trazem as respostas mais inovadoras”, afirmou. Por isso, o cardeal defendeu uma renovação das instituições internacionais e a formação de jovens capazes de assumir responsabilidades nesses espaços.

A necessidade de escuta e acompanhamento

Além da formação, Parolin ressaltou a importância da proximidade e do acompanhamento. Muitos jovens, explicou, vivem frustrações profundas por se sentirem chamados a desempenhar papéis para os quais não se sentem preparados.

Diante dessa realidade, o cardeal recordou que é essencial apresentar aos jovens o rosto de um Deus que ama gratuitamente, independentemente do sucesso ou dos resultados alcançados.

O compromisso da Igreja

Na parte final de sua intervenção, Parolin indicou dois caminhos fundamentais para a ação da Igreja em relação às novas gerações: ouvir e acompanhar. Segundo ele, é necessário criar espaços concretos de escuta, diálogo e acompanhamento para ajudar os jovens a enfrentar suas dificuldades e descobrir sua vocação.

Nesse sentido, destacou o papel das escolas católicas e de iniciativas como as Jornada Mundial da Juventude, que podem favorecer a integração e fortalecer o sentimento de pertença entre jovens de diferentes culturas e países.

“Como Igreja, devemos abrir-nos para ouvi-los”, concluiu o cardeal. “Somente assim poderemos realmente caminhar com eles e ajudá-los a construir o futuro.”

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