Na tarde desta quinta-feira, 26, o pregador dos Exercícios Espirituais da Quaresma no Vaticano, Dom Erik Barden, conduziu mais uma meditação inspirada na vida de São Bernardo de Claraval, abordando o tema “O realista”.
Segundo o pregador, a espiritualidade cisterciense se constrói na tensão entre o ideal e o concreto, entre o poético e o pragmático. São Bernardo, conhecido por seu temperamento inicialmente rigoroso, amadureceu ao longo da vida, aprendendo a integrar misericórdia e verdade em sua visão de mundo.
“Ele se tornou um realista”, afirmou Dom Barden, “não apenas por aceitar as coisas como são, mas por reconhecer que a realidade mais profunda do ser humano é um clamor por misericórdia”.
Jesus, chave de interpretação da realidade
Ao contemplar o sofrimento e as angústias humanas, São Bernardo passou a perceber com maior profundidade a resposta de Deus à fragilidade do homem. Para o pregador, é em Cristo que essa resposta se revela plenamente.
“Em Jesus, Deus manifesta seu plano de salvação, derramando-o sobre a humanidade como um unguento perfumado, curativo e purificador”, destacou.
Para o santo cisterciense, Cristo — Encarnação da Verdade — tornou-se o princípio hermenêutico por excelência: era à luz de Jesus que ele interpretava situações, pessoas e relacionamentos. A contemplação da misericórdia não o afastou da realidade, mas o tornou mais atento à sua profundidade espiritual.
A luz que transforma
Dom Barden explicou que, iluminada sobrenaturalmente, a natureza humana revela sua verdadeira beleza. Só então, disse, torna-se possível vislumbrar a glória escondida no interior de cada pessoa e nas circunstâncias da vida cotidiana.
O amadurecimento espiritual de São Bernardo não o transformou apenas em reformador ou líder eclesial, mas em testemunha da força transformadora do amor de Cristo.
“O conhecimento da realidade absoluta do amor de Cristo e do seu poder de transformar tudo fez dele um doutor e um santo”, concluiu o pregador.
Neste tempo quaresmal, a reflexão recorda que o realismo cristão não é resignação diante das limitações humanas, mas confiança na misericórdia de Deus que renova todas as coisas.
Com informações Vatican News