A Santa Sé voltou a insistir que a paz verdadeira não pode ser sustentada apenas pelo medo ou pela lógica da força. Durante a Conferência sobre o Desarmamento, realizada em 25 de fevereiro na sede das Nações Unidas, em Genebra, monsenhor Daniel Pacho afirmou que é preciso superar a ideia de que “a paz só pode ser alcançada pela força e pela dissuasão”.
Segundo o subsecretário para o Setor Multilateral da Seção das Relações com os Estados e as Organizações Internacionais, a dissuasão — especialmente a nuclear — alimenta a proliferação de armas e pode falhar, com consequências devastadoras para a humanidade e para as futuras gerações.
Para que se avance rumo a uma paz autêntica e duradoura, destacou, é essencial que a Conferência alcance acordos concretos e estáveis de desarmamento, orientados pelo bem comum dos povos.
Verificação e controle de armas
Entre as propostas apresentadas pela Santa Sé está o início de discussões sobre mecanismos de verificação que possam sustentar futuras negociações de desarmamento, incluindo o nuclear. Tais instrumentos são considerados fundamentais para fortalecer a confiança entre as nações e garantir a eficácia dos tratados.
Diante do aumento dos gastos militares no mundo, o representante vaticano também defendeu a retomada das discussões formais sobre limitação de armamentos e desarmamento geral e completo, com sistemas adequados de controle e segurança.
A proximidade da Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares foi lembrada como oportunidade para que os Estados detentores de armas nucleares se comprometam, de boa-fé, com a redução e, no horizonte, a eliminação de seus arsenais.
Não à militarização do espaço e às armas autônomas
A Santa Sé também expressou preocupação com a crescente militarização do espaço extra-atmosférico, pedindo que sua exploração seja preservada exclusivamente para fins pacíficos.
Outro ponto sensível foi o desenvolvimento de sistemas de armas autônomas letais. Para o Vaticano, é urgente estabelecer uma moratória internacional sobre esses sistemas, pois a substituição do julgamento humano por decisões automatizadas compromete a responsabilidade moral no uso da força.
Direitos humanos em crise
No mesmo dia, durante o Segmento de Alto Nível da 61ª Sessão Ordinária do Conselho de Direitos Humanos da ONU, monsenhor Pacho alertou para a crise de credibilidade do sistema internacional de direitos humanos.
Segundo ele, princípios fundamentais como a Declaração Universal dos Direitos Humanos já não são reconhecidos por todos como linguagem comum, sendo alvo de interpretações seletivas. Também foi recordada a advertência do Papa Leão XIV sobre o risco de que direitos fundamentais — como a liberdade religiosa, a liberdade de consciência e até o direito à vida — sejam relativizados em nome de novos conceitos.
Para a Santa Sé, preservar os avanços conquistados desde a fundação das Nações Unidas exige retomar o caminho do diálogo, firmemente enraizado na dignidade inalienável da pessoa humana, dom de Deus e fundamento de toda verdadeira paz.
Com informações Vatican News