A partir deste domingo (22), peregrinos de todo o mundo poderão venerar, pela primeira vez, as relíquias de São Francisco de Assis na igreja inferior da Basílica de São Francisco de Assis. A exposição integra as celebrações do Ano Jubilar Franciscano, que recorda os 800 anos da morte do Poverello, e seguirá aberta à visitação até o dia 22 de março.
Em entrevista à mídia vaticana, Frei Giulio Cesareo, diretor do Escritório de Comunicação do Sacro Convento de Assis, estima a presença de cerca de 370 mil pessoas durante o período, com uma média superior a 15 mil peregrinos por dia. Celebrações solenes e iniciativas especiais marcarão o momento, destacando a atualidade e a universalidade da mensagem do santo conhecido como o “Poverello”.
Relíquias e comunhão na fé
Segundo Frei Giulio, a veneração das relíquias é uma prática antiga na tradição cristã. Para ele, os santos são testemunhas vivas de que o amor de Deus pode transformar a existência humana. “Francisco é como o grão de trigo que cai na terra e morre, mas ao morrer dá muito fruto”, afirmou.
O frade ressaltou que a fé não se reduz a uma ideia abstrata, mas nasce da relação com o Senhor e se expressa na comunhão entre os fiéis. Venerar as relíquias, nesse contexto, fortalece o sentido de pertencimento à Igreja e recorda que o amor doado gera frutos duradouros.
Um legado que atravessa os séculos
Frei Giulio explicou que as relíquias, enquanto parte do corpo do santo, recordam que a fé cristã se vive na concretude da vida. “Nosso corpo é o lugar onde acontecem as relações. As relíquias são como a casca da semente de Francisco que germinou e continua a falar”, destacou.
O franciscano observou ainda que a força do testemunho de São Francisco está na vivência radical do Evangelho. Desde o início, ele foi chamado de “alter Christus”, ícone de Cristo, por sua identificação profunda com os ensinamentos do Senhor.
A iniciativa, segundo o frade, não se limita à devoção popular, mas possui também valor eclesial, teológico e cultural, fortalecendo a compreensão da fé de forma acessível e concreta.
Mensagem de esperança para o mundo atual
Em meio a crises sociais, conflitos e desafios contemporâneos, São Francisco continua a transmitir uma mensagem universal de esperança. Frei Giulio lembrou que o santo viveu em um período igualmente marcado por guerras e injustiças, mas soube transformar a realidade ao seu redor por meio do Evangelho.
“O testemunho de Francisco mostra que, mesmo sem mudar o mundo inteiro, é possível transformar as relações e o ambiente onde se vive”, afirmou.
O jubileu dos 800 anos da morte do santo torna-se, assim, um convite à conversão pessoal, ao compromisso com a paz e à redescoberta do amor como força capaz de renovar a sociedade.
Com informações Vatican News