São Paulo Míki: Jesuíta e primeiro mártir e religioso japonês, inspira reflexão sobre fé e fidelidade até o fim
Celebrado em 6 de fevereiro, o santo e seus companheiros recordam a força do testemunho cristão no Japão; Rádio Amar e Servir destaca reflexão do jesuíta Mateus Pereira, SJ
Por Jéssica Maia
Publicado em 06/02/2026 11:55
Jesuítas

A Igreja recorda hoje São Paulo Míki e seus 25 companheiros mártires, padroeiros do Japão. Entre eles estavam padres, religiosos e leigos — homens e jovens que deram a vida pela fé em Cristo no século XVI.

Primeiro mártir e primeiro religioso de origem japonesa, São Paulo Míki tornou-se símbolo de uma Igreja que nasce inculturada, dialoga com o povo e permanece fiel mesmo em meio à perseguição.

Um jesuíta japonês que anunciou o Evangelho com a própria vida

Filho de uma família evangelizada pelos missionários de São Francisco Xavier, Paulo Míki nasceu no Japão e ingressou na Companhia de Jesus. Embora desejasse o sacerdócio, não pôde ser ordenado por falta de bispos no país, mas destacou-se como pregador e evangelizador, especialmente pelo diálogo respeitoso com a cultura japonesa e com os budistas.

Seu testemunho ganha ainda mais força por ser profundamente enraizado na própria cultura: ele anunciava Cristo como japonês, falando a língua do povo e compreendendo seus costumes.

 

A perseguição e o martírio em Nagasaki

No final do século XVI, o cristianismo passou a ser visto pelas autoridades japonesas como ameaça à ordem social e política. Em 1596, o governante Toyotomi Hideyoshi iniciou perseguições contra cristãos.

Paulo Míki foi preso com outros 25 cristãos — entre eles padres, religiosos e leigos, jovens e adultos, catequistas, missionários e até alguns adolescentes. Como forma de intimidação pública, todos foram obrigados a caminhar cerca de 800 quilômetros de Kyoto a Nagasaki, em pleno inverno, feridos e humilhados.

Em 5 de fevereiro de 1597, no monte Tateyama, em Nagasaki, foram crucificados e mortos. Mesmo na cruz, Paulo Míki continuou anunciando o Evangelho e perdoou seus algozes, afirmando que morria como japonês e como cristão, mostrando que fé e cultura podem caminhar juntas.

 

Uma história humana, concreta e atual

Em entrevista à Rádio Amar e Servir, o jesuíta Mateus Pereira, SJ, recorda que o martírio de São Paulo Míki não pertence apenas ao passado.

Segundo ele, quando falamos de martírio, muitas vezes imaginamos algo distante ou lendário, mas a história desses santos é profundamente humana e atual:

  • Trata-se de uma história de fé, coragem e escolha em um dos momentos mais tensos da história do Japão.

  • O grupo de mártires era extremamente diverso: padres, religiosos, leigos, catequistas e adolescentes — pessoas comuns unidas pela fé vivida com profundidade.

  • Durante a longa caminhada forçada até Nagasaki, em vez de desespero, muitos cantavam salmos, rezavam e encorajavam quem encontravam pelo caminho.

Mateus destaca ainda que Paulo Míki continuou pregando mesmo preso, não como rebelde, mas como alguém cheio de paz, afirmando que seu único “crime” era anunciar o Evangelho.

 

Fé que não rejeita a cultura

Um dos pontos fortes ressaltados pelo jesuíta é o testemunho final de Paulo Míki: na cruz, ele declarou que morria como japonês e como cristão, afirmando que a fé não era inimiga do Japão.

Esse testemunho ecoou por séculos e fortaleceu comunidades cristãs que permaneceram escondidas durante longos períodos de perseguição.

A canonização dos mártires, em 1627, celebrou não apenas uma morte trágica, mas uma vida vivida com coerência e fidelidade.

 

Uma provocação para os cristãos de hoje

Na reflexão, Mateus Pereira recorda que os mártires não morreram por fanatismo ou teimosia, mas porque acreditavam que a fé valia mais que a própria sobrevivência.

Por isso, a história de São Paulo Míki e seus companheiros permanece atual e provoca cada cristão a perguntar:

  • O que sustenta a nossa vida hoje?

  • Pelo que vale a pena permanecer firmes?

Mais do que uma história sobre morte, o testemunho desses santos é uma história de fidelidade, identidade e esperança.

São Paulo Míki e seus companheiros continuam a atravessar séculos, culturas e fronteiras, falando ao coração de quem escuta.

A reflexão completa de Mateus Pereira, SJ, está disponível na programação da Rádio Amar e Servir.

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