A Casa de Acolhida Dom Luciano Mendes de Almeida, centro da Fundação Fé e Alegria do Brasil dedicado ao acolhimento de migrantes e refugiados venezuelanos em São Paulo, foi reconhecida, pela quinta vez consecutiva, com o Selo Municipal de Direitos Humanos e Diversidade, concedido pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC).
Em sua oitava edição, o Selo reconhece boas práticas de gestão da diversidade e promoção dos direitos humanos desenvolvidas por empresas, órgãos públicos e organizações do terceiro setor. Ao todo, mais de 120 iniciativas foram certificadas, distribuídas em 12 categorias, evidenciando experiências comprometidas com a dignidade humana e a justiça social.
Para a analista de projetos da Casa Dom Luciano, Fernanda Oliveira do Carmo, a premiação confirma uma trajetória construída no cotidiano do serviço e do cuidado.
“Conquistar, pela quinta vez consecutiva, o Selo Municipal de Direitos Humanos e Diversidade confirma uma trajetória construída com coerência, compromisso e humanidade. Esse reconhecimento demonstra que a missão da Casa Dom Luciano de promover dignidade, proteção e acesso a direitos se realiza de forma contínua no cotidiano do trabalho”, afirmou.
Segundo Fernanda, o reconhecimento também está em sintonia com a visão da Fundação Fé e Alegria de contribuir para a construção de sociedades mais justas, solidárias e comprometidas com o respeito às diversidades. No atendimento diário a migrantes e refugiados venezuelanos, o Selo destaca a sensibilidade do modelo de acolhimento adotado pela Casa.
“Trata-se de um acolhimento que respeita histórias, valoriza a escuta qualificada e compreende as múltiplas realidades das pessoas atendidas como eixo central da atuação”, explicou.
Nesta edição, o Selo trouxe como destaque o tema das mulheres, com o lema “A existência que resiste”. Para o coordenador da Casa Dom Luciano, Pe. Chang Son Yu, SJ, essa escolha dialoga diretamente com a realidade atual da migração venezuelana.
“Hoje, o principal perfil da migração é composto por mulheres, muitas delas mães solo. Essa transformação exige um olhar cada vez mais atento às especificidades que chegam até nós, para garantir um atendimento personalizado e verdadeiramente humanizado”, ressaltou.
Embora a atenção a mulheres e mães solo sempre tenha sido uma prioridade, em 2025 a Casa passou a estruturar suas ações de forma ainda mais qualificada, com foco no fortalecimento e no empoderamento feminino. As iniciativas incluem apoio à saúde mental, orientações sobre direitos, ações de prevenção à violência de gênero, incentivo ao empreendedorismo e feiras de empregabilidade, com atenção especial à contratação de mulheres acima de 50 anos.
“Como o Papa Francisco nos convida a estar atentos às mudanças do mundo e a responder a elas com humanidade, esse tem sido o nosso olhar cotidiano”, destacou o jesuíta.
Ao refletir sobre a continuidade do trabalho ao longo dos anos, Fernanda reforça que a missão vai além de protocolos institucionais.
“Não se trata apenas de um trabalho com suas formalidades, mas de um compromisso assumido diariamente a partir de um olhar misericordioso sobre o outro, que reconhece a dignidade antes da vulnerabilidade”, afirmou.
Segundo ela, é esse olhar que sustenta práticas de solidariedade concreta e orienta as decisões do dia a dia.
“A proximidade com as pessoas atendidas nos permite enxergar o outro para além das demandas imediatas, sem renunciar ao rigor técnico que o trabalho exige”, concluiu.
A conquista do Selo de Direitos Humanos e Diversidade, pela quinta vez, reafirma a Casa Dom Luciano como um espaço de acolhida, escuta e cuidado, onde a promoção dos direitos humanos se concretiza como expressão viva da fé, do serviço e da misericórdia.