A Conferência Eclesial da Amazônia (Ceama) vive um momento decisivo de amadurecimento institucional e missionário. O organismo eclesial, criado há cinco anos a partir do Sínodo para a Amazônia e do impulso do Papa Francisco, avança agora em seu processo de institucionalização com o apoio do Papa Leão XIV. O tema esteve no centro da audiência concedida, no último sábado, 24 de janeiro, ao presidente da Ceama, cardeal Pedro Barreto, arcebispo de Huancayo, no Vaticano.
Para o cardeal, este novo passo representa mais do que um avanço administrativo: trata-se da consolidação de um caminho profundamente enraizado na realidade amazônica, em sintonia com o chamado da Igreja a caminhar com os povos da região, cuidar da Casa Comum e promover uma ecologia integral — dimensão que também constitui uma das Preferências Apostólicas Universais da Companhia de Jesus.
Um processo que nasce da escuta do território
Criada em 2020, a Ceama surgiu como fruto do discernimento eclesial iniciado com o Sínodo para a Amazônia, inspirado pelo “sonho” de uma Igreja com rosto amazônico, encarnada nos territórios e comprometida com seus povos. Desde o início, destacou-se a centralidade dos pobres, dos povos originários e das comunidades mais vulneráveis, como sublinhou o cardeal Barreto ao recordar o papel do cardeal brasileiro dom Cláudio Hummes, um dos principais incentivadores do processo.
“Estamos vendo como esse sonho está se tornando realidade”, afirmou Barreto, ressaltando que os frutos concretos já são visíveis na articulação pastoral, na escuta sinodal e na corresponsabilidade entre bispos, lideranças e comunidades da Pan-Amazônia.
Continuidade entre dois pontificados
Segundo o presidente da Ceama, o Papa Leão XIV conhece profundamente a realidade amazônica e acompanha de perto o percurso da Conferência. Antes de sua eleição, Robert Francis Prevost atuou como delegado do Papa Francisco junto à presidência da Ceama, garantindo continuidade e acompanhamento próximo do processo.
“O Papa Leão XIV não apenas apoia a Ceama, mas demonstra um interesse particular em fortalecer sua estrutura, assegurando sua sustentabilidade sem perder o espírito sinodal que lhe é próprio”, explicou Barreto. Essa continuidade entre os dois pontificados reforça a confiança no caminho empreendido e expressa uma Igreja que aprende com o território e discerne à luz do Espírito.
Institucionalização a serviço da missão
No encontro, o Papa confiou ao Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral a supervisão do processo de institucionalização da Ceama. Entre as medidas previstas está a criação de um fundo de dotação que garanta estabilidade financeira e permita uma atuação permanente diante dos desafios pastorais, sociais e ambientais da Amazônia.
Para o cardeal Barreto, trata-se de um passo essencial para assegurar que a Conferência continue sendo um instrumento a serviço da vida, da justiça socioambiental e do cuidado da criação, sem se distanciar das realidades locais nem da escuta das comunidades.
Um tempo de graça e discernimento
Este momento é vivido como “uma verdadeira experiência de graça”, afirmou Barreto, destacando a fidelidade do Papa Leão XIV ao Concílio Vaticano II, sua sintonia com a visão do Papa Francisco e seu conhecimento direto da realidade amazônica, especialmente no Peru.
A Ceama se prepara agora para um novo momento: em março, será realizada em Bogotá a assembleia eleitoral que renovará sua presidência, conforme os estatutos aprovados pela Santa Sé. Segundo Barreto, mesmo com a renovação da liderança, “o processo seguirá com a mesma orientação e o mesmo espírito”.
A Amazônia como prioridade eclesial
Um sinal concreto da consolidação da Ceama foi a Assembleia dos Bispos Amazônicos, realizada em agosto em Bogotá, que reuniu 95 dos mais de 115 bispos da região. Para o cardeal, essa ampla participação confirma que a Conferência ocupa um lugar central na vida da Igreja amazônica e no coração de seus pastores.
“Com o apoio de dois Papas e o compromisso dos bispos da região, a Ceama se fortalece como expressão viva da sinodalidade e do compromisso da Igreja com a Amazônia e seus povos”, concluiu Barreto. Um caminho que permanece aberto, exigente e profundamente conectado à missão da Igreja e da Companhia de Jesus de colaborar no cuidado da Casa Comum e na defesa da vida em todas as suas formas.
Com informações Vatican News